Crea RN

40 Anos de CREA-RN
Telecrea - 4006-7214
rss

Artigos

23/01/2012 Utilização do Concreto Protendido em Natal-RN

OBJETIVO: Este artigo tem por objetivo apresentar as aplicações do sistema estrutural ”concreto protendido” em Natal-RN.

APLICAÇÕES DO SISTEMA ESTRUTURAL \"CONCRETO PROTENDIDO EM NATAL-RN: A segunda ponte de Igapó( ponte rodoviária) continha um tabuleiro constituído de vigas pré-moldadas protendidas, em rio perene, sem utilização de nenhum escoramento direto. O projeto, constava de 25 vãos isostáticos, ao lado e com mesma modulação da ponte metálica existente, de forma a causar o mínimo de perturbação ao regime normal de escoamento d´água existente. O tabuleiro é constituído de 8 vigas principais protendidas em duas fases, transversinas intermediária e de apoio também protendidas e lajes de concreto armado moldadas no local. As vigas principais apresentam seção transversal constante em duplo “te”, com altura de 2.00m, alma de 0.15m, mesa superior de compressão com 0.60m de largura e talão inferior de 0.40m de largura.

Nas laterais do tabuleiro existem passeios com 1,50m de largura que juntamente com as duas pistas de tráfego perfazem uma largura total de 12.00m. O transporte longitudinal das vigas pré-moldadas desde o canteiro de estocagem até o vão de lançamento era feito com acionamento de um guincho cujos cabos eram fixados em vagonetes que se deslocavam sobre uma linha férrea. A suspensão e transporte transversal eram feitos com auxílio de outros guinchos deslocáveis montados em pórticos metálicos implantados transversalmente sobre os pilares de concreto armado. As fundações são compostas de estacas metálicas constituídas de 3 trilhos TR-32 soldados pelos patins. Estas estacas, após a cravação com bate estacas montados sobre plataformas flutuantes, recebiam uma proteção no trecho submerso, com tubos metálicos preenchidos de concreto, desde o leito do rio até os blocos de coroamento. A concretagem dos blocos de coroamento das estacas era sempre iniciada por ocasião da preamar, evitando-se a execução de concretagem submersa. Em razão do grande volume de concreto à ser lançado, a concretagem era executada em duas etapas, com interrupção e continuidade no dia seguinte.

Em razão do concreto, pelas condições de execução, permanecer submerso em água salobra durante o período inicial de cura, foram feitas várias moldagens e rompimento de corpos de prova sempre mantidos nas mesmas condições no período de cura. O vertiginoso aumento do tráfego rodoviário na interligação com a zona norte, bem como, a premente necessidade de desativação da velha ponte metálica ferroviária, por ausência de uma adequada conservação, exigiu a implantação de uma nova obra de travessia do rio Potengí. Assim, em 1972, foi erguida a nova ponte rodo-ferroviária de Igapó. Constava de um novo tabuleiro rodoviário justaposto ao existente, garantindo a implantação de mais duas faixas de tráfego, bem como, de um tabuleiro ferroviário independente, disposto ao lado deste, na proximidade da antiga ponte ferroviária. A nova obra, com superestrutura também em concreto protendido, foi executada, apenas 8 anos depois, com utilização de tecnologia bem mais avançada, especialmente no que se refere ao transporte e lançamento das vigas pré-moldadas. Pela primeira vez em Natal foi utilizado sistema de treliça móvel de lançamento de vigas pré-moldadas. Este sistema, já utilizado na época em algumas obras no sudeste do país, representava com certeza um formidável avanço, com efetivas vantagens no planejamento, na segurança e na redução do prazo de lançamento.

A principal característica residia no deslocamento mecanizado da treliça de lançamento, apoiando-se no avanço, sucessivamente, sempre em três pilares adjacentes. A viga pré-moldada à ser lançada, era assim, conduzida no interior da treliça até o vão de lançamento. O transporte da viga pré-moldada até a treliça era feito sobre trilhos com auxílio de guinchos de arrastamento. As viga pré-moldadas do tabuleiro rodoviário, em número de 6 por vão, com seção em duplo “te” tinham altura de 2.00m e pesavam 35t, enquanto as vigas do tabuleiro ferroviário, em número de 2 por vão, também com seção em duplo “te”, tinham altura de 2.40m e pesavam 45t. As lajes também eram protendidas. No tabuleiro ferroviário, sobre a laje, foi lançado um lastro de pedra britada com espessura da ordem de 40cm, no qual eram assentados os dormentes. A mesoestrutura era constituída de pilares parede de concreto armado, com espessura de 2.20m, com superfície superior escalonada, com o nível de apoio das vigas do tabuleiro ferroviário 0.80m inferior ao das vigas rodoviárias. Os apoios das vigas sobre os pilares são todos constituídos de placas de neoprene fretadas.

A infraestrutura é constituída de estacas pré-moldadas de seção transversal anelar de concreto armado, com diâmetro interno de 0.30m e diâmetro externo de 0.60m. Estas estacas, executadas com concreto centrifugado, tipo SCAC, foram todas transportadas via terrestre desde o canteiro de fabricação localizado em S. Paulo. Foram cravadas com bate-estacas à vapor Delmag-80, montado sobre um flutuante. A nova Catedral de Natal, destaca-se como uma das maiores obras com sistema estrutural em concreto protendido executada no Brasil. O projeto arquitetônico concebido pelo arquiteto Marconi Grevy, caracteriza-se especialmente pela existência de um grandioso espaço livre com planta baixa de forma trapezoidal e estrutura de cobertura constituída de nove vigas principais convergentes inclinadas com geometria de forma parabólica, que servem de suporte a painés de lajes planas de vãos variáveis. A impossibilidade de existência de pilares na área da nave principal exigindo vãos teóricos do vigamento principal da ordem de 60.00m, nviabilizava totalmente a utilização de estrutura de concreto armado convencional. Impunha-se, então, para atendimento a concepção arquitetônica, uma solução com vigas principais em concreto protendido, utilizando-se, na época, o sistema Freyssinet de pós-tensão.

Trata-se de uma estrutura de elevado arrojo estrutural, com características especialíssimas, pelas seguintes razões: -O vigamento principal apresenta em elevação geometria longitudinal parabólica assimétrica e, por imposição arquitetônica, deveria ter altura variável crescente de extremidade a extremidade, do nível mais baixo para o nível mais alto, em desacordo com as necessidades do sistema estrutural bi-apoiado com dois balanços. -Os dois apoios de cada vigamento estavam fortemente desnivelados, desde que os pilares frontais tinham altura de 5.00m e os pilares posteriores altura de 25.00m. -Os pilares posteriores, também por imposição arquitetônica, não poderiam ter contraventamentos intermediários, de forma a permitir um espaço livre entre pilares em toda a altura para permitir o lançamento de painés de vitrais. -Os pilares posteriores deveriam ser inclinados para o lado interno da nave, originando um elevada excentricidade de 1ª ordem, para ação de uma reação de apoio vertical da ordem de 160tf., originando momento resultante de elevada intensidade no engaste inferior, principalmente quando associado ao momento oriundo da ação das reações horizontais de apoio e dos efeitos de segunda ordem. Em cumprimento a estas premissas básicas o projeto estrutural foi desenvolvido, sem nenhum auxílio de computador, com a aplicação de laboriosos procedimentos de cálculos e verficações, por vezes repetitivos, para comprovação de resultados em grande número de seções transversais, inclusive verificações no estado limite último.

A acentuada curvatura dos cabos de protensão originavam perdas altamente significativas no efeito da protensão. O arrojo estrutural não estava restrito apenas ao sistema estrutural da cobertura em concreto protendido, mas, também, nos pilares posteriores e suas fundações, especialmente pela dificuldade de definição do tipo e forma geométrica, face ao surgimento inevitável de elevadas forças de arrancamento. À seguir serão apresentados breves comentários focalizando os principais aspectos da concepção, dos cálculos, do detalhamento e da execução destes elementos estruturais. As vigas principais protendidas bi-apoiadas em placas de neoprene fretadas nos pilares frontais e placas de neoflon nos pilares posteriores, apresentam seção transversal em duplo “T”, com variação apenas na altura, de 1.60m a 3.60m. As mesas inferior e superior apresentam largura de 40cm, com alma de 0.20m. A mesa inferior foi concebida de forma a servir de suporte às lajes pré-moldas de cobertura, simplificando o processo construtivo das mesmas, mas, acarretando prejuízo de ordem estrutural pela ausência de monolitismo e redução da importante rijeza do conjunto.

Esta redução de rijeza foi, em grande parte, compensada pela presença de vigas transversais de contraventamento espaçadas de 5.00m. Um aspecto importante na análise estrutural destas estruturas de maior complexidade é que nos deparamos constantemente com situações que ensejam os mais diversos direcionamentos de procedimentos de cálculo, cujos desenvolvimentos não são encontrados de forma pronta e direta em nenhum livro ou publicação técnica, exigindo do projetista, além de consistentes e sedimentados conhecimentos teóricos, o discernimento para optar com segurança para o caminho mais viável. À título de exemplo, podemos citar a dificuldade encontrada em definir na geometria curva das vigas quais as seções transversais mais convenientes e adequadas à serem consideradas na análise das tensões normais em serviço e no estado limite último, inclusive as oriundas da protensão, bem como, na distribuição dos esforços cortantes para verificação das tensões de cizalhamento. Deveriam ser consideradas as seções normais ao eixo geométrico das vigas ou simplesmente as seções transversais verticais? No que se refere ao efeito da protensão, nas seções normais ao eixo geométrico das vigas, face a geometria dos cabos, grande parte das resultantes das forças de protensão atuaria normais a estas seções. Nas seções verticais todos os cabos apresentariam grandes e variadas inclinações, exigindo uma maior complexidade na decomposição das forças resultantes de protensão.

No que se refere à análise do esforço cortante evidentemente a consideração das seções verticais seriam as mais recomendadas. Como forma de comprovação de resultados os cálculos foram totalmente desenvolvidos, inclusive na verificação do estado limite último, com a consideração das duas formas de seção transversal, devendo-se salientar, com auxílio apenas de régua de cálculo, ferramenta hoje totalmente desconhecida para os mais novos, e máquinas Facit mecânicas ou eletro-mecânicas, complementando braçalmente o esforço mental. É extremamente válida, então, a seguinte pergunta? Como seriam desenvolvidos estes cálculos, hoje, em plena era do computador? Com certeza, como forma de segurança mais confiável e realização profissional na aplicação de conhecimentos práticos e teóricos acumulados, não confiaria apenas nos resultados do computador. A utilização do computador seria, com certeza, de extrema importância, aí sim, na análise estrutural pelo método dos elementos finitos, com o preciso e imediato fornecimento de valores de deformações, direção, sentido e intensidade de tensões, reações de apoio, para os mais variados tipos e formas de carregamento, considerados aí os variados estágios de aplicação de forças de protensão. Deve-se destacar, por importante, que a confiabilidade destes resultados sempre estaria invariavelmente dependente da adoção de um modelo estrutural confiável na representação da estrutura real. Do contrário, os aprofundados e abrangentes resultados estariam fundamentados em uma estrutura completamente divergente e em desacordo com a estrutura real.

Todo o detalhamento da estrutura foi desenvolvido manualmente. Os pilares posteriores,por opção de ordem estrutural,apresentam na sua parte inferior uma bifurcação de forma a melhor absorver externa e internamente a ação das grandes solicitações de momento fletor e esforço cortante com redução do consumo de concreto. A estrutura do ginásio do SESI/SENAI, talvez por sua localização, é conhecido apenas pelos que freqüentam o parque desportivo localizado nas instalações do SESI/SENAI, na Av. Mor Gouveia, nesta capital. A arrojada estrutura com linhas arquitetônicas modernas ainda hoje e grande arrojo estrutural, com cobertura em vigas poligonais de concreto protendido e lajes maciças de concreto armado, apresenta características especiais dignas de registro e comentários diversos. Trata-se de uma estrutura inovadora, caracterizada essencialmente por uma planta baixa representada por dois trapézios iguais unidos pela base maior, com cobertura composta de duas águas, sustentada por seis pórticos transversais, de seção variável, com valor mínimo no meio do vão e valor máximo nas extremidades, onde localizavam-se pilares que por imposição arquitetônica apresentavam grandes dimensões variáveis na seção transversal.

Depreende-se que a seção onde atuava o maior momento positivo nos vãos apresentava a menor seção resistente. Os vãos teóricos variavam de 60.00 m a 45.00m. A primeira idéia surgida era se fazer o aproveitamento da modelagem arquitetônica, e sem juntas de dilatação, individualizar grandes pórticos engastados rigidamente nas fundações. Esta idéia, porém, foi abandonada por duas razões principais: Esta estrutura monolítica de grandes dimensões, dotada apenas de duas juntas transversais, seria bastante sensível aos efeitos de retração e variação de temperatura, necessitando, assim, de um rigoroso controle fundamentado num plano de concretagem bem planejado e protensão geral, incluindo-se os pilares, originando uma cuidadosa e controlada execução, especialmente porque nestes pilares se engastavam a estrutura das arquibancadas laterais, em concreto armado. Optou-se, então, por uma estrutura principal constituída de vigas de concreto protendido, simplesmente apoiadas nas extremidades em placas de neoflon, que nada mais são do que placas de neoprene fretadas e unidas duas a duas por placas de ligação constituídas de aço inoxidável e grafitadas, de forma a serem reduzidos a um mínimo as cargas horizontais transmitidas aos pilares. Uma das dificuldades proeminentes das vigas protendidas residia na sua diretriz longitudinal, representada por um “v” invertido simétrico.

As dificuldades de análise estrutural se assemelharam as ocorridas no vigamento da nova catedral de Natal, já devidamente descritas. A dificuldade maior residia na presença da angulosidade côncava existente no meio do vão, exigindo um estudo pormenorizado da distribuição longitudinal dos cabos de protensão. Foram utilizados cabos de protensão contínuos, de extremidade a extremidade, inclusive os cabos relevés. As fundações são constituídas em cada pilar por pares de estacas cravadas pré-moldadas de concreto armado, de larga utilização na época da construção. A obra de edificação da sede da CAERN em Natal, projetada pelo Arq. João Maurício de Miranda, dotada de pilares de seção circular de igual modulação nas duas direções, se adequava completamente a uma estrutura em lajes de concreto protendido, desprovida totalmente de vigamentos. A estrutura foi projetada, com espessura constante de 20cm e dotada de faixas de cabos com bainhas chatas, constituídos por 2 e 4 cordoahas de ½ polegada. A existência de grandes balanços, da ordem de 3,50m mereceu um cuidado especial na distribuição dos cabos. A obra pioneira foi então executada com grande esmero, especialmente porque pela primeira vez se executava uma obra com concreto de alta resistência inicial e final, exigindo, assim, um rigoroso controle de qualidade do concreto à ser utilizado.

O acompanhamento do comportamento desta obra durante o primeiro ano permitiu a constatação da importância do controle das deformações em grandes balanços de lajes protendidas. No que pese o efeito altamente favorável da protensão na fase inicial, com flechas negativas na extremidade para a ação do peso próprio, devido a sua esbeltez a atuação posterior das sobrecargas, especialmente paredes, associadas ao efeito da deformação lenta e relaxação do aço, produzem acréscimo, por vezes acentuado e indesejável, da flecha inicial. Embora não seja viável em obras de pequeno porte, o ideal, para contornar esta deficiência, seria sempre se realizar a protensão em duas fases. Tem-se observado que nas lajes protendidas de balanços de edificações, devido a sua esbeltez, é comum o surgimento de trincas e fissuras indesejáveis nas alvenarias, decorrentes da influência das deformações posteriores a protensão. Como forma de reduzir estes transtornos, recomenda-se a execução das alvenarias de tijolo logo após aplicada a protensão, evitando-se o surgimento de fissuras no reboco, após a habitação da obra. Igualmente, como se adotou em várias estruturas em lajes protendidas, é que este procedimento se aplique também em todas as alvenarias internas, executadas logo após a protensão e com bordo livre superiormente, posteriormente acunhada na fase acabamento da obra.

O espírito empreendedor dos colegas Eng. Sadock Albuquerque e Fernando Garibaldi, da Constutora Norte Brasil Ltda ensejou a execução dos primeiros edifícios de grande porte em concreto protendido na cidade de Natal. Foram executados inicialmente quatro torres idênticas componentes do Residencial París, no bairro de Lagoa Nova. A forma alongada em planta permitiu, em cada pavimento, o lançamento de uma estrutura protendida composta de duas vigas chatas longitudinais interligadas por uma laje central e duas lajes em balanço. As vigas chatas longitudinais eram invertidas, com seção transversal de 1.20mx0.40m e as lajes, também protendidas, tinham espessura constante de 12cm. Esta disposição geométrica permitiu o aproveitamento do rebaixo entre vigas para o conveniente alojamento das tubulações e eletrodutos. Em seguida foi executado o edifício Residencial, caracterizado pela ausência de modulação dos pilares e grandes balanços ao nível da cobertura. Seguiram-se outros empreendimentos de grande porte: edifício Leonardo da Vinci, edifício Potengy (Aníbal), edifício da Afonso Pena, ampliação da UnP, na av. Floriano Peixoto, entre outros.

Na ampliação da sede do Tribunal Eleitoral, na Praça André de Albuquerque foi utilizado pela primeira vez o sistema de protensão com cordoalhas engraxadas. O modelo estrutural de edifícios altos com lajes em concreto protendido, com espessura constante variável, em geral, de 18cmm a 22cm, merece uma reflexão comportamental quando submetida a ação do vento. O elemento estrutural laje plana de grande inércia horizontal, vinculada pontualmente aos pilares em cada pavimento, independentemente da geometria e posicionamento destes, tende a sofrer uma translação horizontal como corpo rígido. Esta análise estrutural pode ser avaliada com aplicação do programa SAP-2000 ou similares, sendo indispensável para uma definição mais precisa dos resultados. É comum o procedimento aproximado de estabelecimento de modelos estruturais com a consideração apenas de faixas de lajes,nas duas direções.

Uma das mais arrojadas edificações em concreto protendido foi executada na futura sede da Junta Comercial, ao lado da sede existente, no bairro da Ribeira. O projeto arquitetônico de autoria do Arq. Daniel Hollanda, foi desenvolvido com base em entendimentos preliminares que propiciassem a execução de uma obra de concreto protendido de grande leveza estrutural. A estrutura caracteriza-se especialmente pelo lançamento em cada pavimento de duas vigas chatas protendidas contínuas, com seção transversal de 0.40mx1.50m, com vãos variáveis de 10.00m a 12.00m, no alinhamento das quais foram dispostos os pilares. As lajes, também protendidas, com espessura de 15cm, apresenta um vão central e dois grandes balanços. Neste projeto estrutural foi dedicada especial atenção ao cálculo dos hiperestáticos da protensão do vigamento, desenvolvido, ainda, sem auxílio de programas computacionais específicos. Face ao grande comprimento dos cabos, na operação de injeção das bainhas metálicas, foi utilizada água gelada na preparação da pasta de injeção. Na protensão das lajes, em razão da presença de ancoragens ativas nas duas extremidades que se situavam junto as paredes dos prédios vizinhos, foi utilizado o artifício de deslocamento destas ancoragens,para o lado interno, de forma a permitir o acesso dos macacos de protensão. Posteriormente, foi feita a complementação da concretagem destas áreas com implantação de armadura frouxa adicional.

O edifício Maine teve a sua estrutura por mim projetada inicialmente em concreto armado. A sua concepção arquitetônica, entretanto, com grandes vãos modulados, se adaptava ao lançamento de uma estrutura com lajes protendidas de espessura constante, igualmente á estrutura da seda da CAERN, recém construída. Mais uma vez o espírito empreendedor e inovador dos engenheiros Fernando Garibaldi e Saddock Albuquerque, da Construtora Norte Brasil Ltda, ensejou a reformulação do projeto estrutural para concreto protendido, especialmente pela possibilidade de redução da altura de construção de 40cm em cada pavimento. O projeto estrutural foi, então, totalmente reformulado, atendendo plenamente aos objetivos previstos. Na oportunidade, de posse dos dois projetos estruturais totalmente desenvolvidos, constatou-se que a execução da estrutura de concreto armado, com as inúmeras dificuldades de execução, especialmente formas e armações, representava por outro lado uma desprezível redução de custos quando comparada com a execução em concreto protendido. Esta constatação motivou a execução de diversas outras obras de edificação, de maior porte, em concreto protendido. Deve-se sempre levar em consideração que haverá sempre uma variação de custos de qualquer obra, influenciada decisivamente pela concepção do projeto estrutural e procedimentos de cálculo.

Em qualquer circunstancia deve-se considerar que nas soluções em concreto protendido haverá sempre as vantagens de ausência de fissuração, influindo decisivamente na conservação da obra, eliminação ou redução das deformações, redução na altura de construção, com economia indireta nas instalações elétrica e hidro-sanitárias. O princípio poderia ser: para se obter um produto de melhor qualidade, deve-se gastar, pelo menos, um pouco mais. Acima de tudo isto as soluções de concreto protendido se impõem, cada vez mais, com o crescimento dos vãos. Sendo assim, não há, em princípio, o mínimo sentido em se executar obras em concreto protendido para vencer pequenos vãos.

O edifício da Capitania das Artes, projetado estruturalmente em concreto protendido, tem o Arq. João Maurício como autor do projeto arquitetônico. É uma construção de grande leveza estrutural, com lajes planas em concreto protendido apoiada diretamente sobre pilares de seção circular bastante reduzida. A seção reduzida dos pilares exigiu um detalhado cálculo e detalhamento para combate ao efeito de punção. Outra característica estrutural refere-se à existência ao longo de toda a fachada de balanços com vão livre de 5.00m, conseqüentemente, sensíveis a ocorrência de grandes deformações, com grande prejuízo estético na fachada em concreto aparente. Para contornar esta dificuldade foram lançados cabos protendidos nas extremidades, com a conveniência de representarem tirantes ativos, a serem posteriormente devidamente ajustados com equalização das flechas. Estes tirantes foram convenientemente alojados em tubos de PVC disfarçadamente dispostos juntos ao painel de esquadrias frontais, de mesma cor. O resultado altamente positivo da implantação destes tirantes, veio comprovar a eficiência deste valioso dispositivo estrutural. A maior complexidade deste projeto estrutural, a exemplo de outros, residiu no fato de que a concepção estrutural e grande parte dos cálculos desenvolvidos não são encontrados de forma pronta nos livros e publicações técnicas, exigindo discernimento e sedimentação de conhecimentos acumulados. A estrutura de cobertura é dotada de vigas em concreto protendido, nas quais se alojam as ancoragens ativas dos tirantes protendidos.

O pórtico de Natal, por sua monumentalidade, beleza arquitetônica e, principalmente pela esbeltez e arrojo estrutural, foi incluído, com muita honra para todos nós Norte-riograndenses, na 3ª edição do livro “O Concreto no Brasil” do Prof. Augusto Vasconcelos, que retrata as maiores obras de engenharia já realizadas em todo o mundo e os diretores da ENGECAL receberam com muita honra prêmios referentes aos projetistas estruturais da estrutura em concreto protendido com maior balanço das Américas(60 m) da RANKBRASIL. A complexidade da superestrutura em concreto protendido com seção vazada, variável, de forma triangular, estende-se ao equilíbrio externo, em razão, principalmente, da limitação do avanço das fundações para o lado da pista de rolamento. Após várias tentativas de solução deste problema, fui surpreendido pelos meus filhos, Flávio e Fábio, uma certa manhã, com uma maquete grosseira, feita em papelão, com representação da forma mais adequada para as fundações. Desenvolvido os cálculos e verificações com base naquela representação, concluímos tratar-se da melhor solução, possuído da emoção de incontrolado pai coruja. A solução destacava-se, ainda, por sua geometria com alongamentos laterais, para uma indispensável estabilidade quanto a ação de cargas horizontais (vento).

Uma das maiores dificuldades de cálculo residiu na definição da geometria das seções transversais, espessuras variáveis das paredes e distribuição dos cabos de protensão. Estes cálculos permitiram a definição final com protensão completa, objetivo sempre almejado com vistas a durabilidade da obra, mesmo sem conservação, como era de se esperar. As ancoragens ativas foram distribuídas e alojadas na base da superestrutua, imperceptíveis após o aterramento previsto na conclusão da obra. Em todas as seções transversais, espaçadas de 5.00m, foram feitas as verificações de tensões normais em serviço e verificação do estado limite último. Uma das grandes realizações do engenheiro de estruturas reside na comprovação de resultados após a execução da obra. No Pórtico Monumental, a grande realização residiu na comprovação da ocorrência da contra-flecha de aproximadamente 12cm prevista no projeto, após a aplicação de todo o efeito da protensão, com total liberação do escoramento. A ENGECAL teve oportunidade de fazer o total acompanhamento da execução da obra, que tinha a competente responsabilidade técnica do Eng. Manoel Neto Gaspar. Na conclusão da obra, após a retirada do escoramento tive a coragem, sem avisar em casa, de sentar-me na extremidade do balanço, comprovando a sensível e aparentemente insegura oscilação estrutural em todos os sentidos. São ocorrências marcantes e inesquecíveis.

* Engenheiro civil José Pereira da Silva, Especialista em Estruturas de Concreto Armado e Protendido, Especialista em Estruturas Metálicas, e diretor da Engecal - Engenharia e Cálculos Ltda.

Colaborador: José Pereira da Silva engecal@digi.com.br

Atendimento On-line Atendimento On-line Resolução 1025/09 CONFEA Normas Técnicas Acessibilidade Aniversariantes do dia

CURSOS E EVENTOS

Cursos / Eventos cursos / eventos


GABINETE DA PRESIDÊNCIA

Fone:
(84) 4006-7203
Fax:
(84) 4006-7201

OUTROS CREAS

INFORMATIVO

Cadastre-se e receba informações
e novidades sobre o Crea-RN

Av. Senador Salgado Filho, 1840 - Lagoa Nova - Natal-RN - CEP: 59056-000 Mix Internet