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13/01/2011 A hora e a vez do projeto nacional

Economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e consultor do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” da Federação Nacional dos Engenheiros, Sérgio Mendonça aposta no País.

Na sua avaliação, se por um lado os obstáculos são tão complexos quanto desmontar o rentismo reinante e implantar uma política industrial eficiente, por outro, a oportunidade é real. “Se o Brasil crescer 5,5% durante 20 anos, terá quadruplicado a renda per capita em 2030, chegando a US$ 40 mil, equivalente à dos Estados Unidos”, prevê. Em entrevista, ele falou sobre o que esperar de 2011 e dos próximos anos.

Qual a situação da economia brasileira hoje?

Apesar do PIB do terceiro trimestre de 2010, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em dezembro último, ter mostrado uma desaceleração, tudo indica que teremos crescimento em torno de 7,5% no ano, o maior desde 1986. Salvo uma situação internacional catastrófica como a de setembro de 2008, que não deve acontecer, o Brasil vai crescer em 2011 algo perto de 5%. A perspectiva com a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), tudo isso cria um clima de que o País está andando para a frente. No entanto, há dificuldades e uma é elevar a taxa de investimento, que em 2010 pode ter chegado a 20% do PIB (Produto Interno Bruto), o que é bom para a história recente, mas insuficiente para sustentar mais uma década de crescimento. Para isso, tem que elevar para algo em torno de 25%. Os outros dois problemas são os juros e o câmbio. Os juros muito altos atraem capital e fazem o real se valorizar, o que complica o desempenho da indústria, como se vê na expansão das importações. Isso agrava o déficit externo, que neste ano será da ordem de 2,5% do PIB. Há quem estime que em 2011 passará de 3%.

Como resolver o problema do câmbio? A moeda de um País que cresce tende a se valorizar com o câmbio flutuante. A China, que cresce sem parar, faz uma política cambial diferente para se manter competitiva na exportação. Há o processo de desvalorização do dólar conduzido pelos Estados Unidos, que não param de emitir dinheiro e querem aumentar as exportações e dinamizar sua economia. O Brasil terá de ver em que lugar fica. Deixar valorizar, enquanto outros fazem diferente? Temos que ter um câmbio competitivo. Primeiro, temos que fazer a desmontagem da entrada e saída de dinheiro no Brasil. O governo tentou dar uma travada com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e estabilizou o dólar, que até então não parava de cair, em R$ 1,70 (em meados de dezembro de 2010). O Brasil já tomou medidas, mas não estão sendo suficientes, e estão em risco a indústria, o turismo, os serviços. Eventualmente, terá de tomar medidas mais drásticas com relação aos fluxos financeiros de capital. A questão cambial é delicada, e não haverá saída para o próximo governo que não seja atuar cotidianamente no câmbio. Fazer os juros caírem pode ajudar, mas outras medidas também precisam ser tomadas, até porque hoje as taxas externas estão muito baixas, é zero nos Estados Unidos. Mesmo que se reduza dos atuais 10,75% para 6%, continua sendo atraente vir para o Brasil.

A taxa de juros poderia ser menor?

Poderia estar mais baixa, sem dúvida, mas há alguns problemas para isso. Um deles é como resolver o imbróglio da caderneta de poupança. Existe uma lei que garante 6,19% ao ano de remuneração, faça chuva ou faça sol. Sem rever isso, a Selic não consegue ir para baixo porque as outras aplicações, fundos de investimentos etc., vão render menos e todo o mundo vai correr para a poupança. Com isso, o governo terá problemas para financiar a dívida pública, terá de emitir moeda, o que põe em risco as metas de inflação. Como mexer na poupança é muito impopular, serão necessárias medidas criativas, como proteção aos pequenos investidores. Outro ponto é uma lógica financeira estranha, que premia quem aplica no curto prazo. É importante desmontar isso porque, a partir daí, os juros podem subir sem contaminar a dívida pública e sem criar essa atratividade para os títulos brasileiros. Nós vamos caminhar para isso, mas não se sabe quanto tempo vai levar. É preciso estimular a captação de recursos de longo prazo. Basicamente, é a desmontagem do rentismo, que é atávico no Brasil.

O País avançou em questões sociais como a distribuição de renda nos últimos anos, mas ainda não tem um projeto de desenvolvimento nacional.

Nos dois governos Lula, foi fortalecido o mercado interno, lançando mão de políticas como a valorização do salário mínimo, que considero a mais fundamental. Isso é um enorme ativo na negociação do Brasil com o mundo. Se no ano que vem o câmbio ficar em R$ 1,8 em média, teremos um PIB de US$ 2,160 trilhões, é quase o da Itália em dólar corrente. Isso mostra um país grande e que continua crescendo. Mas falta um olhar de longo prazo, que implica discutir uma política industrial. Isso significa arbitrar investimentos. Hoje, somos bons em agricultura, aeronáutica e extração de petróleo, porque investimos durante anos. Nada caiu do céu. Então, o que mais? Queremos produzir chips e ter uma indústria eletrônica forte? Vamos ter que investir em C&T, formar engenheiros. Quando se diz que a Petrobras vai fazer o investimento todo do pré-sal com 70% de nacionalização, isso é uma baita política industrial, porém exige contratar engenheiro, formar um monte de gente e investir em infraestrutura. Mas tem que fazer isso com outros setores. No automobilístico, por exemplo, ou a indústria multinacional trará parte dos centros de decisão e tecnologia para cá ou teremos que criar uma nacional. Isso voltou a estar na pauta. Por que não? O Brasil é o maior mercado de automóveis do mundo que não tem uma empresa nacional. Além disso, educação é central nesse processo. A construção civil já está dizendo que vai crescer muito menos em 2011 porque não tem mão de obra. Não tem mágica, vamos ter que investir muito mais em educação, pagar melhor os professores, cuja profissão tem que voltar a ser valorizada. Outra questão é resolver o déficit habitacional. O Brasil caminha para ser a sexta economia mundial, quiçá a quinta, precisa ter um projeto próprio. Estamos vivendo o momento de fazer escolhas claras para dar um salto. Se o Brasil crescer 5,5% durante 20 anos, terá quadruplicado a renda per capita em 2030, chegando a US$ 40 mil, equivalente à dos Estados Unidos. De alguma maneira, a história está na nossa mão. Com tudo isso, vamos conseguir articular um projeto nacional, não contra os outros, mas a favor do Brasil.

Fonte: www.fne.org.br

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