Iniciativa pioneira no Brasil articula ciência, engenharia e proprietários rurais para criar modelo de negócios que gera renda, conserva o bioma e posiciona o Rio Grande do Norte como referência em desenvolvimento sustentável.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN), por meio do HUB Crea-RN, assumiu a coordenação de um trabalho pioneiro no Brasil: a construção de um modelo de negócios para a geração de créditos de carbono na Caatinga norte-rio-grandense.
A iniciativa é baseada nos estudos científicos do pesquisador Cláudio Moisés Santos e Silva, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e líder do Grupo de Estudos Observacionais e de Modelagem da Interação Biosfera-Atmosfera (GEOMA).
O projeto é inédito no Rio Grande do Norte e no país. Pela primeira vez, um modelo integrado reúne governança institucional, conhecimento acadêmico de ponta, financiamento estruturado e a participação direta dos proprietários rurais para transformar a conservação da Caatinga em ativos ambientais negociáveis no mercado de carbono.
"O CREA-RN exerce aqui seu papel estratégico de garantir através dos profissionais registrados a qualidade técnica dos projetos, articular as instituições envolvidas e valorizar os profissionais registrados no Sistema CONFEA/CREA”, afirma o presidente do Crea-RN.
Os profissionais são os responsáveis por várias etapas do projeto e, consequentemente, seu garantidor técnico; o Crea-RN, através do HUB é o articulador institucional desta que pode ser uma das maiores agendas de desenvolvimento sustentável do estado", destaca o secretário estratégico do Crea, Claudionaldo Câmara.
Entre os agentes reunidos pelo Crea, a especialista no mercado de crédito de carbono, Camila Pimentel, com atuação em Brasília, é responsável por orientar a equipe sobre as obrigações internacionais deste mercado.
CAATINGA: UM BIOMA ESTRATÉGICO
Presente em 91% do território do Rio Grande do Norte, a Caatinga — a única floresta tropical sazonalmente seca exclusivamente brasileira — tem um potencial até pouco tempo desconhecido: estudos coordenados pelo pesquisador Cláudio Moisés Santos e Silva, publicados em revistas científicas internacionais de alto impacto, demonstram que a Caatinga atua como um sumidouro de carbono altamente eficiente, ou seja, captura mais CO₂ da atmosfera do que libera.
Isso significa que, ao conservar e recuperar a vegetação nativa, os proprietários rurais podem gerar créditos de carbono certificados — cada um equivalente a uma tonelada de CO₂ que deixou de ir para a atmosfera — e vendê-los no mercado voluntário global para empresas e investidores comprometidos com metas ambientais.